: O que é Parrésia (ou Parresia, ou Parrhesia)?

Foucault explicou que a parrhesia, na cultura greco-romana, designava a fala franca ou corajosa e sua prática exigia um contexto. O parrhesiástica era aquele que corria o risco ao se expressar com franqueza diante de um “outro”, que poderia ser uma assembleia grega, um tirano ou um discípulo de condição social superior. Assim, para que houvesse a prática da parrhesia, era necessário que a pessoa que falava francamente estivesse diante de alguém de status superior ao dela, o que lhe expunha a algum risco, que poderia ser a perda da sua amizade ou, no limite mais extremo, arriscar a própria vida.

Ecoando o diapasão foucaultiano, o tema do Dossiê ora proposto é: Éticas parrhesiásticas na Psicologia Contemporânea. O que se denomina aqui de ética parrhesiástica refere-se, amplamente, a uma postura que implique o comprometimento com a potencialização e a ampliação de espaços habitáveis, mesmo em contextos nos quais essa posição seja desacreditada ou desencorajada. Apesar de que na obra de Foucault o estudo das práticas parrhesiásticas se limite ao contexto greco-romano, nosso interesse é pensar nas possíveis experiências da parrhesia na contemporaneidade, em especial no que toca a construção de uma ética na Psicologia que prioriza produções comprometidas com modos de subjetivação.

Deste modo, o presente Dossiê é um convite a todos aqueles que, produzindo na área da Psicologia e demais áreas interdisciplinares, entendem que suas práticas ensejam éticas parrhesiáticas frente aos processos normalizadores dos modos de subjetivação (disciplinares e/ou de controle), seja no âmbito da relação clínica, seja no da participação dos psicólogos nos meios sócio-políticos que dizem respeito à saúde mental.


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