Possibilidades de aprisionamentos e de dissidências na adoção de crianças e adolescentes

Elisa Mariana Carvalho Ribeiro, Fábio Henrique Silva Martins, Fernando Silva Teixeira Filho

Resumo


O artigo apresenta a adoção como uma prática que questiona os padrões biológicos e heteronormativos de constituição familiar, tornando-se este um dos grandes temas na atualidade referente à parentalidade. Apresentamos alguns discursos que estão presentes nos(as) pretendentes à adoção, como o medo de uma possível herança genética trazida pela criança adotada; assim como a busca da adoção como última alternativa diante da impossibilidade de reprodução bioparental; e ainda a preferência por adotar bebês, que configura a adoção tardia, geralmente sentida como uma prática inviável. Por meio do filme Patrik, 1.5, que retrata a adoção de um adolescente de 15 anos entregue a um casal homossexual (homoparentalidade), adentramos o tema adoção e nos aproximamos do campo sensível em que transitam os discursos que capturam e aprisionam novos arranjos constituindo um campo tensionado, no que se refere aos discursos sobre família e aos padrões heteronormativos intensificados pelos fluxos constantes de subjetivação, bem como experiências que dissidem da norma e reinventam novos modos de constituição familiar.


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