MARIANA

DA CIDADE PATRIMÔNIO A CIDADE PARTIDA

Autores

Palavras-chave:

Memória, Espaço, Poder, Identidade

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo mapear o recente processo de urbanização (1960-1990) sofrido pela cidade de Mariana-MG, bem como seus desdobramentos para a acomodação dos novos contingentes populacionais na cidade. Mais especificamente, focaremos nossas atenções na polarização sócio-espacial entre a população estabelecida e a recém-chegada que marca o cenário urbano da cidade após o referido processo de urbanização. Através de algumas pesquisas, pudemos notar que a população tradicional, ao sentir-se ameaçada pela presença do estranho, tratou de traçar marcos e fronteiras que mapeassem o espaço urbano e garantissem seus lugares de poder. Após o estabelecimento dessas fronteiras, a memória local foi reevocada e chamada a preencher os interstícios do “empreendimento identitário”. Em nosso entendimento, essa polarização entre o “marianense” e os “outros” vai incidir de forma crucial na organização do espaço urbano da cidade, refletindo na disparidade de acesso dos indivíduos em relação aos bens da cidade, ou seja, a um dos aspectos básicos da cidadania.

Biografia do Autor

`Paulo Gracino Júnior, Universidade Estadual Paulista UNESP

Professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do IUPERJ/UCAM, é coordenador do Laboratório dos Imaginários e Conservadorismos (LAICOS). É coordenador do Comitê de Pesquisa em Sociologia da Religião da Sociedade Brasileira de Sociologia. Pós-doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ), doutor em Sociologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2010), com estágio de doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade do Porto. Pesquisa principalmente os seguintes temas: religião e conservadorismo; religião e política; neoliberalismo, subjetividade e religião; crescimento pentecostal e resistência católica; transnacionalização religiosa; religiões e cidades; religião e juventude.

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Publicado

30-11-2007

Como Citar

Gracino J´´unior, P. (2007). MARIANA: DA CIDADE PATRIMÔNIO A CIDADE PARTIDA. Patrimônio E Memória, 3(2), 147–170. Recuperado de http://seer.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/3969