
Faces da História
, Assis/SP, v.6, nº2, p.459-477, jul./dez., 2019
Nesse sentido, no anúncio reforçou-se a ideia de que, por intermédio de seu
projeto agropecuário na Amazônia, a Volkswagen já estava fazendo sua parte no esforço
nacional de desenvolvimento junto com outros grandes grupos econômicos, como
Mappin, Scarpa, Gasparian, Alcântara Machado, Swift, Lunardelli, Camargo Côrrea etc.
Na esteira das ponderações de Fico (1997), por meio de sua propaganda institucional, a
SUDAM oferecia à população – neste caso específico, os investidores – a chance de
participar do projeto desenvolvimentista dos militares.
Destarte, a campanha da SUDAM, mais do que uma apresentação das
potencialidades econômicas da Amazônia e de uma série de benefícios dados aos
investidores, era uma espécie de convite. Uma convocação aos empreendedores para
demonstrarem seu espírito pioneiro e fazerem parte do ambicioso projeto de
desenvolvimento da Amazônia, afinal, “os maiores são os que chegam primeiro”.
Por outro lado, figuras do alto escalão governamental, como o ministro do
Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, se apropriavam da introjeção dos recursos da
VW na Amazônia para asseverar os “novos caminhos” que eles representariam na
economia brasileira: “A Amazônia é grande demais para se esperar dela coisas rotineiras.
Quem diria que a Volkswagen iria se associar a vários empresários, nacionais ou não,
num projeto desses? É um caminho totalmente novo na economia brasileira!” (VEJA, 22.
ago. 1973, p. 86).
Ainda que a AERP não possuísse relação direta com outras agências e empresas
estatais, uma vez que estava vinculada apenas à Presidência da República, foi comum
tanto empresas estatais quanto privadas buscarem produzir “peças” com base “modelo
AERP”, devido às suas técnicas de sucesso, buscando assim manter sua visibilidade em
alta (OLIVEIRA, 2014).
O “modelo AERP” de propaganda evocava determinados “valores” já inseridos no
imaginário social brasileiro, almejando produzir um ambiente otimista e um cenário mais
favorável à imagem do regime, dissimulando, de certa forma, a realidade conflituosa
daquele período. A AERP por meio de suas atividades visava, entre outras coisas,
estimular o civismo, o caráter nacional, a participação, a confiança no governo etc.
A SUDAM recorrentemente evocou o “padrão AERP” em suas campanhas. Os
anúncios da Superintendência reiteravam representações seculares da Amazônia
enquanto “mina de ouro” (VEJA, 09. dez. 1970, p. 91) ou “paraíso verde” (VEJA, 21. abr.
1971), e ratificavam convites aos “desbravadores” e “pioneiros”, conclamando-os a
enriquecerem junto com o Brasil. Afinal, se a Amazônia é uma mina de ouro, havia um
tesouro à espera dos investidores de espírito pioneiro (VEJA, 30. dez. 1970, p. 19).