BRANDÃO, Ryan*
https://orcid.org/0000-0002-8986-3851
CABRERA, Lívia**
https://orcid.org/0000-0002-5212-5150
EBERT, Sancler***
https://orcid.org/0000-0002-3620-3913
RESUMO: Neste artigo, apresentamos o
mapeamento das pesquisas sobre salas de cinema
desenvolvidas nas pós-graduações
stricto sensu
das
Instituições de Ensino Superior Públicas (Federais e
Estaduais) e Privadas do Estado do Rio de Janeiro.
Utilizamos como metodologia a revisão sistemática,
que segue os sete passos indicados pela
Colaboração Cochrane, organização ligada à área de
saúde, reconhecida como referência para a
produção de revisões sistemáticas. No total, foram
contabilizadas 61 pesquisas (48 dissertações e 13
teses). Esses trabalhos foram analisados segundo a
sua instituição de origem, a Grande Área da
CAPES
a qual pertence o Programa de Pós-graduação onde
foram desenvolvidos, a década em que foram
defendidos e os municípios aos quais fazem
referência sejam eles fluminenses ou não. Depois
de realizarmos o levantamento quantitativo das
pesquisas, nós organizamos os estudos em grupos
para verificar possíveis tendências temáticas. Afinal,
enquanto objeto de estudo, as salas de cinema
podem ser analisadas a partir de diferentes
perspectivas. Fica claro, portanto, que o campo
que atualmente vem sendo nomeado como
histórias
de cinemas
está em crescimento no Estado do Rio
de Janeiro.
PALAVRAS-CHAVE:
histórias de cinemas
;
Programas de Pós-graduação
stricto sensu
; Salas
de cinema; Rio de Janeiro.
ABSTRACT: In this paper we present the mapping of
researches about movie theaters developed in
stricto sensu
graduate programs of public (federal
and state government) and private universities in
the state of Rio de Janeiro. We used systematic
review as a methodology, following the seven
steps indicated by the Cochrane Collaboration. That
is an organization linked to the health that are
recognized as a reference for the production of
systematic reviews. Altogether 61 researches were
accounted for (48 thesis and 13 dissertations). These
studies were analyzed according to their institution
of origin, the major area of
CAPES
to which the
graduate program where they were developed
belongs, the decade in which they were defended
and the cities to which they refer whether they are
from the state of Rio de Janeiro or not. After carrying
out the quantitative survey of the researches we
organized the studies into groups to identify
possible thematic trends. After all as an object of
investigation movie theaters can be analyzed from
different perspectives. Therefore, it is clear that the
field which is currently being named as
stories of
cinemas
is growing in the state of Rio de Janeiro.
KEYWORDS:
stories of cinemas
;
stricto sensu
Graduate Programs; Movie theaters; Rio de Janeiro.
Recebido em: 08/02/2022
Aprovado em: 08/05/2022
* Mestre em Artes, Cultura e Linguagens pela
UFJF
[Linha de pesquisa: Cinema e Audiovisual]. Doutorando
em Cinema e Audiovisual na
UFF
[Linha de pesquisa: Histórias e Políticas]. E-mail:
ryan.brandao@hotmail.com.
** Mestre em Cinema e Audiovisual pela
UFF
. Doutoranda em Cinema e Audiovisual na
UFF
[Linha de
pesquisa: Histórias e Políticas]. E-mail: livia_cabrera@id.uff.br.
*** Mestre em Imagem e Som pela
UFSCar
, São Carlos-SP. Doutorando em Cinema e Audiovisual na
UFF
[Linha de pesquisa: Histórias e Políticas]. E-mail: sanclerebert@yahoo.com.br.
Este é um artigo de acesso livre distribuído sob licença dos termos da Creative Commons Attribution License.
Introdução
Neste artigo, apresentamos o mapeamento das pesquisas sobre salas de cinema
desenvolvidas nas pós-graduações
stricto sensu
das Instituições de Ensino Superior
Públicas (Federais e Estaduais) e Privadas do Estado do Rio de Janeiro. Esse levantamento,
que foi realizado em janeiro de 2022, advém não somente do nosso interesse pela temática,
mas também da nossa percepção de que, ao longo das últimas décadas, a quantidade de
trabalhos acadêmicos sobre salas de cinema cresceu significativamente. A título de
exemplo, podemos citar o Programa de Pós-graduação em Cinema e Audiovisual da
Universidade Federal Fluminense
(UFF), onde desenvolvemos os nossos doutorados.
Atualmente, ele possui nove pesquisas em andamento sobre o assunto
1
, um mero
bastante expressivo considerando um total de 120 pesquisas.
2
A pesquisa realizada é o primeiro recorte de algo mais amplo que prevê, no futuro,
que a produção encontrada faça parte de um banco de dados, abrangendo as pesquisas
realizadas em instituições do Brasil, o que possibilitará o acesso e fomentará múltiplas
discussões entre os estudiosos brasileiros. Nesse sentido, é fundamental mencionar que
os espaços de debate relacionados a essa temática estão aumentando no país. Desde 2016,
os encontros da
Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
(SOCINE)
contam com o Seminário Temático Exibição Cinematográfica, Espectatorialidades e Artes
da Projeção no Brasil, coordenado atualmente por João Luiz Vieira, Júlio Bezerra e Wilson
Oliveira.
3
Vieira também é responsável pela organização do Pré-
SOCINE,
4
evento que tem
como objetivo a abordagem da história das salas de cinema localizadas na cidade-sede do
congresso, bem como discutir novas metodologias para o campo. Por sua vez, o Grupo de
Pesquisa Modos de Ver: Estudo das Salas de Cinema, Exibição e Audiências
Cinematográficas (ESPM / CNPq), coordenado por Talitha Ferraz e Pedro Curi, organiza
anualmente um encontro destinado a debater essas questões. Além disso, foi realizado no
1
As pesquisas abordam as cidades de Campos dos Goytacazes, Juazeiro, Feira de Santana, Juiz de Fora,
Manaus, Petrolina, Recife, Rio de Janeiro, Petrópolis e Três Passos.
2
PROGRAMA DE S GRADUAÇÃO EM CINEMA E AUDIOVISUAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE (PPGCINE). Corpo discente mestrado. Disponível em:
https://ppgcine.cinemauff.com.br/corpo-discente-mestrado. Acesso em: 21 de jan. 2022.
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM CINEMA E AUDIOVISUAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE (PPGCINE). Corpo discente doutorado. Disponível em:
https://ppgcine.cinemauff.com.br/corpo-discente-doutorado/https://ppgcine.cinemauff.com.br/corpo-
discente-mestrado/ . Acesso em: 21 de jan. 2022.
3
No biênio 2016-2017, os coordenadores do ST foram João Luiz Vieira, Márcia Bessa e Wilson Oliveira. No
biênio 2018-2019, João Luiz Vieira, José Cláudio Castanheira e Talitha Ferraz. Os atuais coordenadores
assumiram o ST em 2020 e estarão à frente dele até 2022 (SOCINE, 2020).
4
O Pré-
SOCINE
ocorreu, pela primeira vez, no ano de 2017, na cidade de João Pessoa. Em 2018 e 2019, o
evento aconteceu, respectivamente, em Goiânia e em Porto Alegre.
ano de 2019, em Juiz de Fora, o I Encontro de Pesquisadores em Histórias de Cinema de
Minas Gerais.
5
Apesar desse expressivo crescimento, consideramos que os estudiosos que se
dedicam à análise das salas de cinema nacionais dialogam muito pouco entre si. Na maioria
das vezes, por não terem conhecimento sobre o que está sendo produzido ao redor do
país, pois, como veremos posteriormente, as pesquisas são provenientes de diversas áreas
do conhecimento. Dessa forma, a proposta deste artigo é a de ser um primeiro movimento
para preencher essa lacuna. Com ele, nós procuramos iniciar uma sistematização de
dados, mapeando as pesquisas sobre salas de cinema desenvolvidas nos cursos de pós-
graduações
stricto sensu
do Estado do Rio de Janeiro.
Referencial teórico
Para entendermos melhor a localização da nossa iniciativa dentro dos estudos de
cinema e audiovisual, é importante abordarmos a relação entre o Cinema e a História. A
partir da década de 1970, o cinema passou a ser visto como um “objeto, fonte ou lugar de
construção de significações históricas” (SCHVARZMAN, 2008), o que abriu um amplo
leque de interesse para os historiadores. Desvalorizado por inúmeros intelectuais por ser
um divertimento popular, de massa, o cinema passou a ser visto como uma atividade
passível de ser estudada na academia. Marc Ferro (1992), um dos maiores defensores do
uso do cinema como fonte histórica, afirma que ele é capaz de traduzir questões referentes
a um tempo específico. Logo, ele se configura como um rico
locus
de processos históricos.
A partir desse movimento de mudança no campo da História, as reflexões acerca
do cinema enquanto fonte histórica encontraram uma organização nas propostas da
New
Film History
, vertente surgida nos anos 1970, nos Estados Unidos e na Europa, que pro-
punha a revisão de alguns marcos da historiografia cinematográfica vistos como
intocáveis. Segundo Robert C. Allen e Douglas Gomery (1985), a
New Film History
questio-
nava os principais mitos fundadores como, por exemplo, a primeira exibição de cinema
realizada pelos irmãos Lumière.
6
O que se buscava era a construção de novas reflexões
que fugissem de um caráter evolucionista, ou seja, que não narrassem uma sequência de
sucessos da atividade cinematográfica realizados pelos mesmos nomes.
No Brasil, essa mudança se reflete num movimento denominado Nova
Historiografia Universitária (AUTRAN, 2007), cujos trabalhos repensam os mitos e as
5
O evento marcou o fim da segunda etapa do projeto
Minas é Cinema
, financiado pela
Fapemig
e desenvol-
vido pelo GP CPCine História, Estética e Narrativas em Cinema e Audiovisual (UFJF / CNPq).
6
Trata-se de entender o cinema como um fenômeno tecnológico, social e cultural que ocorreu em diversos
lugares e não fixar um marco único e indiscutível, numa historiografia linear, onde há apenas uma verdade.
periodizações da historiografia brasileira. Na obra
Historiografia clássica do cinema
brasileiro
(1995), Jean-Claude Bernardet propõe que o trabalho historiográfico brasileiro
questione verdades tidas como absolutas como, por exemplo, as crônicas de fundação
do cinema no Brasil e a predominância das análises em torno dos filmes de ficções. O autor
defende a necessidade de renovação do discurso histórico, colocando em suspeição a
maneira como se vinha trabalhando até então a História do Cinema Brasileiro. Assim, ele
aponta inconsistências e questiona os recortes escolhidos, para que fosse possível a
construção de novas abordagens que foram deixadas de lado no passado. Uma questão de
fundamental importância nesse momento foi a aproximação entre pesquisadores de
cinema e arquivistas, o que permitiu a descoberta de novos documentos, indo além do
material fílmico, muitas vezes inacessível, para balizar essas perspectivas e explorar novas
possibilidades de construção e análises da história.
Nessa trajetória de ampliação de interesse dos temas ligados à História do Cinema,
Richard Maltby (2011) assinala que, ao longo das últimas décadas, despontou uma
tendência transdisciplinar que, ao invés de destacar o texto fílmico, coloca em perspectiva
os espaços de exibição cinematográfica e as experiências pessoais e coletivas das
audiências. O fato é que, tendo conquistado uma maturidade metodológica mesmo que
as discussões sobre as metodologias empregadas pelos seus teóricos sejam contínuas ,
esse eixo de investigação desenvolveu uma identidade própria. Na Europa, nos Estados
Unidos e na Austrália, atribuiu-se a ele o nome de
New Cinema History
. A finalidade, ao
caracterizá-lo como novo, era acentuar que as temáticas que o integram não haviam sido
devidamente contempladas pela Grande História do Cinema, que se volta, principalmente,
para uma análise da produção, da direção e dos filmes realizados.
A nomenclatura
New Cinema History
surgiu, em dezembro de 2007, durante as
discussões da
The Glow in their Eyes: Global Perspective on Film Cultures, Film Exhibition
and Cinema-going Conference,
que aconteceu no
Centre for Cinema and Media Studies
da
Ghent University
, Bélgica. O evento foi organizado pelo
HoMER (History of Movie-
going, Exhibition and Reception),
uma rede internacional de pesquisadores que, desde
2004, busca compreender os complexos fenômenos da ida ao cinema, da exibição e da
recepção a partir de uma perspectiva multidisciplinar. É essencial destacar que alguns
acadêmicos afiliados à
New Cinema History
como, por exemplo, Daniel Biltereyst (
Ghent
University
), Daniela Treveri (
Oxford Brookes University
), Matthew Jones (
De Montfort
University
) e Philippe Meers (
University of Antwerp
) têm estreitado relações com
estudiosos brasileiros e participado de eventos organizados pelo Grupo de Pesquisa Mo-
dos de Ver: Estudo das Salas de Cinema, Exibição e Audiências Cinematográficas (ESPM /
CNPq).
De acordo com Biltereyst, Maltby e Meers (2019), as pesquisas associadas a esse
eixo de investigação vão além dos filmes, direcionando o seu olhar para a própria indústria.
Assim, o interesse dos estudos reside nas interações entre o cinema e a sociedade. Os
trabalhos que se filiam à perspectiva da
New Cinema History
ressaltam que a experiência
cinematográfica se configura como um fenômeno social bastante complexo.
Temporalmente, a experiência cinematográfica não se inicia quando as luzes se
apagam ou quando um ingresso é comprado, e não se acaba quando os créditos
sobem ou quando voltamos para o mundo real do lado de fora do espaço de
exibição. (ALLEN, 2011, p. 55).
Consequentemente, esse eixo de investigação acaba por arregimentar
pesquisadores das mais distintas áreas. A título de exemplo, antropologia, arquitetura,
economia, geografia, história e sociologia. Logo, a interdisciplinaridade é uma
característica marcante. Nas suas análises, os teóricos da
New Cinema History
se
debruçam sobre uma variedade de fontes: plantas de cinemas, programas, materiais
publicitários, registros de bilheteria, revistas de fãs, dentre outras. Em virtude disso, eles
procuram desenvolver maneiras de armazenar e, posteriormente, examinar a grande
quantidade de informações coletadas. Além de metodologias como a etnografia e a história
oral, os investigadores também recorrem ao desenvolvimento de bancos de dados e à
elaboração de mapas.
No Brasil, esse eixo de investigação tem sido denominado, informalmente, por João
Luiz Vieira,
7
como
histórias de cinemas
. É essencial grafar a terminologia com iniciais
minúsculas e no plural, na medida em que o objetivo é realçar as múltiplas trajetórias dos
espaços de exibição cinematográfica nacionais. Segundo Vieira (2021):
O que tenho chamado, de forma modesta, de
histórias de cinemas
pode ser
configurado como uma estratégia metodológica onde o circuito fílmico não exclui
e nem poderia excluir os filmes, mas vai além para incorporar suas complexas e
variadas condições de recepção. Estas, por sua vez, caracterizadas por
diferenças regionais, incluindo a conformação de seu público, com hierarquias de
classe social, gênero, etnia, idade ou educação, entre outras marcas identitárias.
Sem dúvida, trata-se de uma empreitada teórico-prática de natureza
transdisciplinar que joga luz sobre a trajetória paralela da formação de públicos
e das transformações culturais, tecnológicas e mercadológicas do cinema. O
campo é vasto e se abre para o cruzamento e a polinização dos Estudos
Cinematográficos/
histórias de cinemas
com a História, Economia, Arquitetura,
7
João Luiz Vieira é reconhecido internacionalmente como um dos precursores do campo no país. Ao lado de
Margareth Campos Pereira, ele produziu a célebre publicação “Espaços do sonho: cinema e arquitetura no
Rio de Janeiro” (1983), que se tornou pioneira na investigação do local que abriga e materializa as projeções.
De acordo com os autores, naquela época, a maior parte dos estudos divulgados evidenciava as estruturas
de fascinação presentes nos próprios filmes e o papel exercido pela câmera no estabelecimento da
identificação entre os sujeitos e as imagens na tela. Pouquíssima atenção havia sido destinada à análise da
sala de cinema enquanto espetáculo, o que começou a mudar com a referida iniciativa.
Ciências Sociais (em especial a Sociologia, Antropologia e a Comunicação).
(VIEIRA, 2021, p. 7).
Essa perspectiva dialoga bastante com os propósitos da micro-história (LEVI, 2011).
A micro-história não se refere obrigatoriamente ao estudo de um espaço físico reduzido
ou delimitado ainda que isso possa ocorrer. Na realidade, o que ela sugere é uma
diminuição na escala de observação dos historiadores com o propósito de se perceber
aspectos que, de outra maneira, passariam despercebidos. “O princípio unificador de toda
pesquisa micro-histórica é a crença em que a observação microscópica revelará fatores
previamente não observados.” (LEVI, 2011, p. 141). Nesse sentido, quando um micro-
historiador analisa uma pequena comunidade, ele não analisa propriamente
a
pequena
comunidade, mas sim
através
dela. Logo, o seu exame se apresenta como uma maneira de
se atingir a compreensão de aspectos relativos a uma sociedade mais ampla. Por sua vez,
essa reflexão pode ser perfeitamente empregada em investigações que envolvam salas de
cinema.
Justificativa e Metodologia
Neste artigo, optamos por mapear as pesquisas desenvolvidas nos cursos de pós-
graduação
stricto sensu
por duas razões. Primeiro, por entendermos a importância das
Instituições de Ensino Superior para a Ciência do nosso país. Segundo, pela disponibili-
zação organizada dos dados, o que nos permite a realização de uma coleta com rigor
científico. De acordo com o relatório da empresa
Clarivate Analytics
, feito a pedido da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(
CAPES
), as Instituições
de Ensino Superior Públicas são responsáveis por 95% das publicações científicas
brasileiras. O número de cursos de pós-graduação
stricto sensu
também têm aumentado.
Segundo Cristiano Lopes (2019), “entre os anos de 2000 e 2017, o número de programas
saltou de 1430 para 3557 aumento de 148,7%” (LOPES, 2019, p. 9).
A escolha pelo recorte do estado do Rio de Janeiro se deu por três razões. Primeiro,
por conveniência metodológica, aproveitando a localização geográfica do Programa de
Pós-graduação em Cinema e Audiovisual da
Universidade Federal Fluminense
(UFF), ao
qual nós estamos vinculados. Segundo, pelo fato da capital do estado (e, na primeira
metade do século XX, também a capital do país) ter abrigado uma grande quantidade de
salas de cinema. Inclusive, a maior Cinelândia do Brasil, idealizada por Francisco Serrador,
localizava-se na Praça Floriano, zona central da capital fluminense. Por fim, justificamos o
recorte no estado por um aspecto quantitativo, pois o Rio de Janeiro possui o maior
número de pesquisas sobre salas de cinema em cursos de pós-graduação s
tricto sensu
da
Região Sudeste.
8
É importante salientar que, embora tenhamos optado por mapear as pesquisas
realizadas em cursos de pós-graduação
stricto sensu
, temos o conhecimento da produção
de estudos em cursos de graduação nas monografias e fora do ambiente acadêmico.
Diferente das pós-graduações, as graduações não possuem um padrão de publicação dos
trabalhos, o que dificulta sua localização e sistematização. Defendemos que os dois
recortes merecem mapeamentos e análises futuras.
Com o intuito de mapear as pesquisas sobre salas de cinema realizadas nas pós-
graduações
stricto sensu
das Instituições de Ensino Superior Públicas (Federais e Esta-
duais) e Privadas do estado do Rio de Janeiro, utilizamos como metodologia a revisão
sistemática. De acordo com Aldemar Araújo Castro (2001, p. 1), a revisão sistemática “é
uma revisão planejada para responder a uma pergunta específica e que utiliza métodos
explícitos e sistemáticos para identificar, selecionar e avaliar criticamente os estudos, e
para coletar e analisar os dados destes estudos incluídos na revisão.”. No presente artigo,
nós seguimos os sete passos indicados pela Colaboração Cochrane, organização ligada à
área de saúde, mas reconhecida como referência para a elaboração de revisões
sistemáticas. A escolha dessa metodologia também considerou o seu emprego anterior em
uma pesquisa da área a dissertação
Os estudos do som no cinema
:
evolução quantitativa,
tendências temáticas e o perfil da pesquisa brasileira contemporânea sobre o som
cinematográfico
, escrita por Bernardo Marquez Alves e defendida, no ano de 2013, no
Programa de Pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais da
Universidade de São
Paulo
.
Os passos da Colaboração Cochrane para a revisão sistemática compreendem: a
formulação da pergunta; a localização e seleção dos estudos; a avaliação crítica dos
estudos; a coleta de dados; a análise e apresentação dos dados; a interpretação dos dados
e, por fim, o aprimoramento e atualização da revisão.
Iniciamos a pesquisa com a formulação da seguinte pergunta: “Quais são os estudos
sobre salas de cinema realizados nas pós-graduações
stricto sensu
das Instituições de
Ensino Superior Públicas (Federais e Estaduais) e Privadas do estado do Rio de Janeiro?”
Com a questão definida, passamos para a localização e seleção dos estudos. As bases de
8
Em janeiro de 2021, foi realizada uma coleta das pesquisas sobre salas de cinema dos cursos de pós-
graduação
stricto sensu
dos estados da Região Sudeste. Na pesquisa, nós encontramos 60 pesquisas no
estado do Rio de Janeiro, 40 no de São Paulo, 22 no de Minas Gerais e 1 no do Espírito Santo. É importante
destacar que a decisão por iniciar o levantamento pela Região Sudeste se deu pelo fato de que 43,69% dos
cursos de pós-graduação
stricto sensu
estarem localizados nela (LOPES, 2019).
dados utilizadas para a busca foram os acervos das bibliotecas e dos repositórios dos
estabelecimentos educacionais fluminenses, assim como a Biblioteca Digital Brasileira de
Teses e Dissertações e o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. Selecionamos essas
bases por elas serem institucionalizadas. Foi importante utilizarmos mais de uma para
evitarmos eventuais problemas de disponibilização dos trabalhos em alguma delas.
Para encontrarmos os resultados esperados, empregamos na busca das bases de
dados as seguintes palavras-chaves: audiências; cinemas de rua; exibição cinematográfica;
multiplex; salas de cinema. A busca incluía título, resumo e palavras-chave dos trabalhos.
A partir do que foi localizado, fizemos uma primeira seleção dos estudos. Nela, foram
coletadas informações básicas (o tulo, a autoria, a instituição e o resumo) e, quando
liberada, a pesquisa na íntegra. Os estudos que, por ventura, não foram encontrados na
íntegra nas bases de dados foram procurados no
Google
. No total, dos 61 trabalhos
selecionados, conseguimos a versão completa de 50.
Em seguida, passamos para a avaliação crítica dos estudos, de modo a definir se as
dissertações e as teses localizadas seriam mesmo consideradas no mapeamento. Para isso,
realizamos uma leitura analítica dos resumos dos 61 trabalhos previamente coletados. Nos
casos em que eles não davam conta de esclarecer se as pesquisas eram, de fato, sobre
salas de cinema, nós líamos os estudos na íntegra. Nessa etapa, nenhum dos 61 trabalhos
foi eliminado. Todos abordavam realmente os espaços de exibição cinematográfica
nacionais.
Definidas as pesquisas a serem analisadas, iniciamos a coleta dos dados,
acrescentando, às informações reunidas, outras como a natureza da Instituição de
Ensino Superior (se pública ou privada); o tipo de estudo (se dissertação ou tese); o nome
do Programa de Pós-graduação; a Grande Área da CAPES a qual o Programa de Pós-
graduação está vinculado; o ano da defesa; a cidade e o estado onde as salas de cinema
pesquisadas se localizam; e as palavras-chaves.
Realizada a coleta, iniciamos a análise e apresentação dos dados. O aprimoramento
e atualização da revisão, última etapa da Colaboração Cochrane, será feito após o artigo
ser publicado, a partir dos diálogos realizados e das sugestões que receberemos, que serão
incluídas nas atualizações desse mapeamento.
Análise dos dados
Conforme divulgado anteriormente, foram encontradas 61 pesquisas ao todo, 48
dissertações e 13 teses, sendo que o número de dissertações é maior por serem pesquisas
mais rápidas, em média dois anos de duração, mas principalmente pelo fato do número de
cursos de mestrado ser maior do que de doutorado no Rio de Janeiro.
9
Os trabalhos
encontrados foram divididos em dois grupos. O primeiro deles abrange as Dissertações e
Teses realizadas nas Instituições de Ensino Superior Públicas (Federais e Estaduais) do
estado do Rio de Janeiro. Ao todo, são sete Universidades:
Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro
(UNIRIO),
Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ),
Universidade
Federal Fluminense
(UFF),
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(UFRRJ)
,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ)
, Universidade Estadual da Zona Oeste
(UEZO)
e
Universidade Estadual do Norte Fluminense
(UENF)
.
Logo, buscamos nos acervos das suas bibliotecas e dos seus repositórios por
pesquisas que abordassem a história das salas de cinema do nosso país. Para completar o
levantamento, ainda procuramos na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações
e no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. Nesses dois últimos bancos de dados,
deparamo-nos com uma quantidade expressiva de trabalhos provenientes de Instituições
de Ensino Superior Privadas do estado do Rio de Janeiro. Por exemplo, a
Pontifícia
Universidade Católica
(PUC), a
Fundação Getúlio Vargas
(FGV) e o
Instituto Brasileiro de
Mercado de Capitais
(IBMEC). Logo, o segundo grupo é formado pelas Dissertações e
Teses realizadas nas Instituições de Ensino Superior Privadas do Estado do Rio de Janeiro.
Os quadros 1 e 2 apresentam a divisão dos grupos e a quantidade de trabalhos em cada um
deles, respectivamente.
Quadro 1 Divisão das pesquisas encontradas
Grupo
Descrição
1
Dissertações e Teses realizadas nas Instituições de Ensino
Superior Públicas (Federais e Estaduais) do estado do Rio de Janeiro
2
Dissertações e Teses realizadas nas Instituições de Ensino
Superior Privadas do estado do Rio de Janeiro
Fonte: autoria própria.
9
O Estado tem 499 cursos de Mestrado e 318 cursos de Doutorado ao todo (acadêmico e profissional).
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR (CAPES). Plataforma
Sucupira. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/. Acesso em: 21 jan. 2022.
Quadro 2 Número de pesquisas encontradas por grupo
Estado
Grupo 1
Total
Rio de Janeiro
49
61
Fonte: autoria própria.
No total, foram contabilizadas 61 pesquisas. A maior parte delas é proveniente do
Grupo 1 (49). A diferença do Grupo 1 para o Grupo 2 (12) é bastante expressiva. Esses
números demonstram a importância das Instituições de Ensino Superior Públicas para o
desenvolvimento de pesquisas sobre os espaços de exibição cinematográfica nacionais. O
quadro 3 apresenta a quantidade de dissertações e teses encontradas por Instituição de
Ensino Superior Pública do Estado do Rio de Janeiro.
Quadro 3 Número de pesquisas encontradas por Instituição de Ensino Superior Pública
do Estado do Rio de Janeiro
Universidade
Dissertações
Total
UNIRIO
4
5
UFRJ
18
23
UFF
10
13
UFRRJ
0
0
UERJ
6
8
UEZO
0
0
UENF
0
0
Total
38
49
Fonte: autoria própria.
Das sete Instituições de Ensino Superior Públicas do Estado do Rio de Janeiro,
encontramos pesquisas em quatro: UNIRIO, UFRJ, UFF e UERJ. Dentre elas, a que possui a
maior quantidade de estudos é a UFRJ (23). Em seguida, a UFF (13). Juntas, UFRJ e UFF são
responsáveis por aproximadamente 73% das pesquisas desenvolvidas nas Instituições de
Ensino Superior Públicas do Estado do Rio de Janeiro. As duas instituições são as que
possuem maior número e variedade de cursos de Pós-graduação, segundo dados da
Plataforma Sucupira da CAPES
.
10
Como podemos observar, o número de Dissertações (38)
é maior que o de Teses (11). Por sua vez, o Quadro 4 apresenta a quantidade de dissertações
e teses encontradas por Instituição de Ensino Superior Privada do Estado do Rio de
Janeiro.
Quadro 4 Número de pesquisas encontradas por
Instituição de Ensino Superior Privada do Estado do Rio de Janeiro
Universidade
Dissertações
Total
PUC
4
5
FGV
4
5
IBMEC
2
2
Total
10
12
Fonte: autoria própria.
PUC e FGV possuem o mesmo número de estudos (5). Nas duas, foram realizadas
4 dissertações e 1 tese. Assim como no Quadro 3, podemos observar pelo Quadro 4 que o
número de Dissertações (10) é maior que o de Teses (2). No Gráfico 1, organizamos as
pesquisas de acordo com as Grandes Áreas da CAPES.
10
Atualmente a UFRJ possui 217 cursos e a UFF 122, seguida da UERJ com 103.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR (CAPES). Plataforma
Sucupira. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/ . Acesso em: 21 jan. 2022.
Gráfico 1 Grandes Áreas da CAPES das Dissertações e Teses encontradas
Fonte: autoria própria.
O gráfico acima destaca que, das 61 dissertações e teses encontradas, a Grande
Área de Ciências Sociais Aplicadas (34) possui a maior quantidade de trabalhos. Em
segundo lugar, aparece a Grande Área de Ciências Humanas (20). Juntas, as Grandes Áreas
de Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas representam 89% das pesquisas. É
importante destacar que também foram encontrados estudos nas Grandes Áreas de
Multidisciplinar (4) e Linguística, Letras e Artes (3). No Gráfico 2, apresentamos o número
de pesquisas feitas por década nas Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de
Janeiro.
56%
33%
6% 5%
Total: 61 pesquisas
Ciências Sociais aplicadas (34
pesquisas)
Ciências Humanas (20 pesquisas)
Multidisciplinar (4 pesquisas)
Linguística, letras e artes (3
pesquisas)
Gráfico 2 Pesquisas feitas por década nas Instituições de Ensino Superior do Estado do
Rio de Janeiro
Fonte: autoria própria.
De acordo com o Gráfico 2, a primeira dissertação foi realizada na década de 1980.
Trata-se de
Cine-jornalismo e populismo:
Ciclo Carriço Film em Juiz de Fora
. Escrito por
Martha Sirimarco Guedes, o trabalho foi defendido em 1980 no Programa de Pós-
graduação em Comunicação da UFRJ. Nesse estudo, a autora aborda a história do Cine
Popular. Localizada na Rua 15 de Novembro
11
890, a sala de cinema foi inaugurada, no
ano de 1927, por João Carriço. Já a primeira tese foi realizada na década de 1990. Trata-se
de
Arquitetura do espetáculo:
teatros e cinemas na formação do espaço público da Praça
Tiradentes e da Cinelândia
. Escrito por Evelyn Furquim Werneck Lima, o trabalho foi
defendido em 1997 no Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ. Nesse
estudo, a autora destaca como dois logradouros cariocas e seus entornos se tornaram polo
de atração de teatros e cinemas, desde o início do século XIX até meados do século XX.
Além disso, ela analisa os interesses econômicos de empresários envolvidos no setor de
diversões como, por exemplo, Paschoal Segreto e Francisco Serrador.
O gráfico também demonstra o significativo crescimento da produção acadêmica
fluminense sobre salas de cinema nos últimos vinte anos. Ao final do século XX, haviam
sido realizados 7 estudos (6 dissertações e 1 tese). Por sua vez, nas duas primeiras décadas
do século XXI, foram desenvolvidos 54 trabalhos (42 dissertações e 12 teses), sendo o mais
recente
A joia do bairro: o Cine Joia e a identidade cultural de Copacabana,
de Carlos
11
Outrora, esse era o nome da Avenida Getúlio Vargas em Juiz de Fora.
0
5
10
15
20
25
30
Década de 1980 Década de 1990 Década de 2000 Década de 2010
Dissertações Teses
4
14
1
11
1
28
2
0
Total: 61 pesquisas
Alberto Diniz dos Santos Filho, defendida em 2021 no Programa de Pós-Graduação em
Comunicação da UERJ. No tocante às teses, é importante apontar que, das 12 pesquisas
escritas neste século, 11 delas foram elaboradas nos últimos dez anos. O fato é que, para
além do aumento do interesse acadêmico pela temática, a multiplicação do número de
estudos sobre salas de cinema pode ter ocorrido devido ao aumento das pós-graduações
stricto sensu
nas Instituições de Ensino Superior Públicas e Privadas do Estado do Rio de
Janeiro. O Gráfico 3 mostra a multiplicação desses cursos. O GeoCAPES Sistema de
Informações Georreferenciadas da CAPES reúne dados desde 1998. Naquele ano, o Estado
do Rio de Janeiro possuía 195 programas de pós-graduação. Em 2018, eram 487 um
crescimento de quase 150% em duas décadas.
Gráfico 3 Número de PPGs no Estado do Rio de Janeiro
Fonte: autoria própria.
Ainda que não desenvolvida neste artigo, uma vez que necessitaria uma discussão
própria para si, deve-se destacar que os processos de transformações aos quais as salas
de cinema têm passado nas últimas décadas podem ser compreendidos como mais uma
justificativa para o aumento das pesquisas sobre o assunto. Vivenciamos um processo
longo, de décadas, do fechamento de salas de rua ou de calçada, a transformação dos
equipamentos em cinemas de conteúdo adulto e igrejas, o aumento dos multiplex em
shoppings e galerias e a variedade de opções e confortos que as novas salas vêm
oferecendo. Além disso, estamos no olho do furacão, ainda sem dados sólidos, observando
o fenômeno do crescimento do
streaming
e a diminuição das janelas de exibição durante
e após o período de pandemia COVID-19 e o impacto no mercado exibidor. Sem perder de
0
100
200
300
400
500
600
1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018
Número de PPGs no estado do Rio de Janeiro
195 220
295 318
479 487
405
237
261
435
349
vista esse panorama, entende-se que processos de mudanças, crises e desequilíbrios
chamam a atenção da sociedade e passam a ser alvo de olhares mais atentos, pesquisas
com mais rigor e não foi diferente com o fenômeno de idas ao cinema, como os dados
pesquisados até agora atestam.
Para apresentar a localização das salas pesquisadas pelos trabalhos, foi criado a
Figura 1, com a indicação do mapa dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, e construída
o Quadro 5, com o número de pesquisas por cidade do Estado do Rio de Janeiro.
Figura 1 Mapa dos municípios do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: autoria própria.
Quadro 5 Número de pesquisas por cidade do Estado do Rio de Janeiro
Cidade
Quantidade de pesquisas
Campos dos Goytacazes
1
Niterói
2
Petrópolis
1
Rio de Janeiro
33
Fonte: autoria própria.
O Estado do Rio de Janeiro possui 92 municípios. A maior parte das pesquisas teve
como foco as salas de cinema situadas na sua capital (33). É importante destacar também
que somente um estudo não faz referência a uma cidade da Mesorregião Metropolitana do
Rio de Janeiro, mas sim a um município da Mesorregião do Norte Fluminense. É a
dissertação denominada
Salas de cinema em Campos dos Goytacazes:
lugar, sociabilidade
e políticas culturais da década de 1960 aos anos 2010, escrita por Joilson Bessa da Silva
e defendida em 2017 no Programa de Pós-graduação em Geografia da UFF.
Para apresentar a localização das salas pesquisadas pelos trabalhos, foi criado a
Figura 2, com a indicação do mapa dos municípios fora do Estado do Rio de Janeiro, e
construída o Quadro 6, com o número de pesquisas por cidade fora do Estado do Rio de
Janeiro.
Figura 2 Mapa dos municípios fora do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: autoria própria.
Quadro 6 Número de pesquisas por cidade fora do Estado do Rio de Janeiro
Cidade
Estado
Quantidade de pesquisas
Cataguases
Minas Gerais
1
Juiz de Fora
Minas Gerais
3
Piracicaba
São Paulo
1
São Luís
Maranhão
1
Vitória da Conquista
Bahia
1
Salvador
Bahia
1
São Paulo
São Paulo
1
Fonte: autoria própria.
Durante o mapeamento, constatamos a existência de pesquisas desenvolvidas nas
Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro que tratavam de salas de
cinema localizadas em outros estados brasileiros. De acordo com o Quadro 6, Juiz de Fora
(3) é o município que possui o maior número de trabalhos sobre os seus espaços de
exibição cinematográfica. Além de Juiz de Fora, foram realizados estudos sobre outras
importantes cidades do país, como Salvador e São Paulo.
Após realizarmos o levantamento quantitativo das pesquisas desenvolvidas nas
pós-graduações
stricto sensu
do Estado do Rio de Janeiro, percebemos que, até então, as
salas de cinema foram analisadas pelos acadêmicos de diversas maneiras. Logo,
organizamos os estudos em grupos para verificar possíveis tendências temáticas.
12
A
nossa ideia aqui é descobrir vínculos entre os trabalhos encontrados. Vale destacar desde
que existem pesquisas que podem pertencer a mais de uma categoria. Portanto, todas
as divisões propostas a seguir não devem ser consideradas mutuamente exclusivas.
Dito isso, a primeira temática evidente está relacionada à arquitetura dos espaços
de exibição cinematográfica. Nesses estudos, o foco dos acadêmicos reside nos prédios
onde os filmes são exibidos para as suas audiências. Por exemplo,
Fogos de artifício à luz
do dia:
a arquitetura de Antônio Virzi no Rio de Janeiro
, dissertação escrita por Alberto
12
A escolha das tendências temáticas teve como inspiração o trabalho de Christian Marc-Bosséno (1995).
Em sua pesquisa, o autor francês aponta que, enquanto objeto de estudo, as salas de cinema podem ser
analisadas a partir de diferentes perspectivas.
Antonio Taveira e defendida em 1998 no Programa de Pós-graduação em Arquitetura da
UFRJ;
Reitoria da UFF:
marco arquitetônico e urbano da cidade de Niterói
, dissertação
escrita por Silvana Valente dos Santos e defendida em 2010 no Programa de Pós-
graduação em Arquitetura da UFF;
Decodificando a cidade:
forma, imagem e história na
classificação tipológica do centro da cidade do Rio de Janeiro
, dissertação escrita por
Guilherme Meirelles Mesquita de Mattos e defendida em 2013 no Programa de Pós-
graduação em Arquitetura da UFF;
Cinelândia:
um
conjunto histórico
, dissertação escrita
por Taisa Soares de Carvalho e defendida em 2015 no Programa de Pós-graduação em
Arquitetura da UFRJ;
Conflito entre uso e forma nas salas de cinema tombadas do Rio de
Janeiro
, dissertação escrita por Bruno Sarmento dos Santos e defendida em 2015 no
Programa de Pós-graduação em Arquitetura da UFRJ; e
Projeto de restauração e
readequação de uso do Cine Teatro Edgard em Cataguases, Minas Gerais
, dissertação
escrita por Mariela Salgado Lacerda de Oliveira e defendida em 2017 no Programa de Pós-
graduação em Arquitetura da UFRJ.
Por sua vez, os estudos associados à segunda temática entendem as salas de
cinema como importantes espaços de sociabilidades para as suas audiências. Dentre as
pesquisas encontradas, nós podemos mencionar
Construção de sociabilidades e memórias
na Tijuca:
o caso dos extintos cinemas da Praça Saens Peña e as atuais formas de
espectação cinematográfica no bairro
, dissertação escrita por Talitha Gomes Ferraz e
defendida em 2009 no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ;
Cinelândia
:
território de socialidade e de narrativas sem fim
, tese escrita por Cibele
Mariano Vaz de Macêdo e defendida em 2013 no Programa de Pós-graduação em Psi-
cologia da UERJ
;
Na tela, o Cine Guaraci, um artefato transformado em símbolo geográfico
no cruzamento dos tempos em Rocha Miranda, Rio de Janeiro
, dissertação escrita por
Lúcia Rodrigues de Almeida Dias e defendida em 2014 no Programa de Pós-graduação em
Geografia da UERJ;
Espectação cinematográfica no subúrbio carioca da Leopoldina:
dos
‘cinemas de estação’ às experiências contemporâneas de exibição
, tese escrita por Talitha
Gomes Ferraz e defendida em 2014 no Programa de Pós-graduação em Comunicação e
Cultura da UFRJ
;
e
O consumo de cultura e lazer no centro histórico do Rio de Janeiro e a
integração do espaço da Lapa, Cinelândia e Praça XV
, dissertação escrita por Anna Luiza
Gaudini de Oliveira e defendida em 2015 no Programa de Pós-graduação em Geografia da
UERJ.
os trabalhos da terceira temática analisam a tecnologia empregada nas salas de
cinema. Por exemplo,
Determinação do critério de ruídos recomendável para salas de
exibição cinematográfica
, dissertação escrita por Osvaldo Luiz Emery e defendida em 1994
no Programa de Pós-graduação em Arquitetura da UFRJ; e
Fatores que influenciam a
satisfação do consumidor de cinema:
o caso da tecnologia 3D no filme
Alice no País das
Maravilhas
, dissertação escrita por Davi Monteiro de Almeida e defendida em 2011 no
Programa de Pós-graduação em Administração da UFRJ.
As pesquisas da quarta temática investigam os espaços de exibição cinematográfica
sob o prisma econômico. Dentre os estudos encontrados, nós podemos mencionar
Possibilidades de fidelização às salas de cinema desconsiderando a escolha do filme
,
dissertação escrita por Antonia de Vicente Salgado e defendida em 2003 no Programa de
Pós-graduação em Administração de Empresas da PUC;
A distribuição digital:
o caso da
indústria cinematográfica
, dissertação escrita por Tânia Maria Lopes Arouxa e defendida
em 2007 no Programa de Pós-graduação em Administração do
IBMEC
;
Avaliação da
qualidade percebida dos serviços de cinemas multiplex: estudo empírico em uma unidade
do Rio de Janeiro
, dissertação escrita por Mônica Portella e defendida em 2008 no
Programa de Pós-graduação em Administração do
IBMEC
;
Marc Ferrez & Filhos: comércio,
distribuição e exibição nos primórdios do cinema brasileiro (1905-1912),
dissertação escrita
por William Nunes Condé e defendida em 2012 no Programa de Pós-graduação em
Comunicação e Cultura da UFRJ; e
Hollywood e o mercado de cinema brasileiro:
princípio(s) de uma hegemonia
, tese escrita por Pedro Butcher e defendida em 2019 no
Programa de Pós-graduação em Cinema e Audiovisual da UFF.
Ao longo do mapeamento, nós encontramos pesquisas que investigam as salas de
cinema enquanto patrimônio das cidades onde elas estão localizadas. É possível citar como
integrantes dessa quinta temática
Entre achados e perdidos:
colecionando memórias dos
palácios cinematográficos da cidade do Rio de Janeiro, tese escrita por Márcia Cristina da
Silva Sousa e defendida em 2013 no Programa de Pós-graduação em Memória Social da
UNIRIO; e
Cine Palácio:
documento cinematográfico e patrimônio arquitetônico no ‘Museu
de Percurso Lugar de Memória Cinelândia / Entorno’, dissertação escrita por Glória
Gelmini de Castro e defendida em 2016 no Programa de Pós-graduação em Museologia e
Patrimônio da UNIRIO.
Por fim, nós constatamos que várias pesquisas abordam políticas públicas para o
setor da exibição cinematográfica no país. É possível citar como integrantes dessa sexta
temática
A melhor diversão? Para quem? Consumo de cinema no Brasil após a chegada
dos multiplexes
, dissertação escrita por Carla Sobrosa Mesquita Monsores e defendida em
2011 no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF
;
e
O Estado e a exibição:
as
políticas estatais de acesso ao cinema e audiovisual no Rio de Janeiro a partir de 2010,
dissertação escrita por Adil Giovanni Lepri e defendida em 2016 no Programa de Pós-
graduação em Comunicação da UFF.
Considerações finais
A análise das salas de cinema nacionais não pode ser considerado um tema
periférico dentro dos estudos brasileiros de cinema e audiovisual. Nas Instituições de
Ensino Superior do estado do Rio de Janeiro, o interesse dos pesquisadores em estudar o
campo vem aumentando e, consequentemente, o surgimento de novos trabalhos redigidos
cresceu muito nas últimas décadas. A pesquisa fluminense sobre o assunto, que chegou
tímida no final do século XX, tem nos primeiros vinte anos do século XXI a demonstração
de que a área vem sendo reconhecida na academia. Ao mesmo tempo, podemos afirmar
que esse crescimento do interesse pela temática ocorreu simultaneamente ao aumento
dos investimentos nos Programas de Pós-graduação, que mais do que dobraram nos
últimos anos, principalmente a partir do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (REUNI), lançado pelo Governo Federal no ano de
2007.
Contudo, o fato de existir a possibilidade de outras pesquisas não terem sido
catalogadas nas bases de dados averiguadas nos impossibilita afirmar que reunimos a
totalidade dos trabalhos existentes. Como apontamos anteriormente, conseguimos
mapear 48 dissertações e 13 teses, dentro do recorte proposto. Nesse sentido, a estrutura
metodológica da revisão sistemática foi eficiente para estipular, ordenar e justificar os
passos seguidos e poderá ser aplicada novamente no futuro. Conforme explicado na
Introdução, este artigo é o embrião de um projeto maior de levantamento que contemple
a produção científica brasileira sobre salas de cinema.
Com os dados à disposição, verificou-se a predominância das pesquisas nas
Instituições de Ensino Superior Públicas do estado do Rio de Janeiro e na Grande Área de
Ciências Sociais Aplicadas da
CAPES
, onde se encontra a Área de Comunicação,
responsável por 16 pesquisas do levantamento.
13
Isso demonstra a força da temática na
grande área, a mais receptiva às pesquisas sobre cinema.
14
Confirmou-se ainda que mais
da metade dos trabalhos fazem referência à cidade do Rio de Janeiro.
Com o crescimento do interesse pelo campo na Europa, ocorreu a formalização de
uma área tida como nova a
New Cinema History
, mas que não deve ser entendida
como algo absoluto ou mais um marco inquestionável para a História do Cinema, uma vez
13
Das 16 pesquisas encontradas na Área de Comunicação, 14 foram desenvolvidas em Programas de Pós-
graduação em Comunicação (na UFRJ, UFF, UERJ e PUC) e 2 no Programa de Pós-graduação em Cinema e
Audiovisual da UFF, programa recente com a primeira turma em 2017.
14
O cinema foi, por muito tempo, tratado como uma especialidade da subárea de comunicação, no que diz
respeito a organização das áreas do conhecimento. O processo de desvinculação é recente, com o
surgimento de Programas específicos, como é o caso do Programa de Pós-Graduação em Cinema e
Audiovisual da UFF, em Niterói, e o Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da UFS, em
Aracaju.
que se notou a coexistência de pesquisas sobre salas de cinema no Brasil sem o registro
da influência desta perspectiva europeia. Fica claro que sim um trabalho local em
desenvolvimento, um circuito de pesquisas se formando antenado com outras produções
mundiais, mas que tem a sua identidade e as suas referências para discutir as suas
histórias de cinemas
. O mapeamento dos estudos sobre salas de cinema e suas audiências
necessita continuidade, com o levantamento dos dados das demais regiões do Brasil.
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