Faces da História, Assis/SP, v. 10, n. 2, p. 280-296, jul./dez., 2023
De 2000 em diante vimos uma melhora, e ampliação, nesse tipo de mÃdia aos
elementos de representações LGBTI+. As explorações nesse mercado foram lentas então,
acreditamos. Não causa surpresa como elas parecem ter começado com personagens nem
tão conhecidos, vide Estrela Polar.
A personagem Robin é uma velha questão e ressurge o tópico de tempos em tempos,
seja através do sucesso do seriado dos anos 60, de Batman e Robin, com seguimentos da
comunidade LGBTI+ (Lendrum, 2004) ou em uma piada do Coringa, sobre o Robin se depilar
(Paiva, 2021). A pessoa no uniforme de Robin mudou algumas vezes e o próprio uniforme se
alterou com o tempo (Lendrum, 2004), todavia ainda há esse elemento, que pode surgir
como deboche, sobre Robin ser gay.
De uma época de pânico moral diante da questão LGBTI+ hoje há um problema
oposto, em certos seguimentos, uma busca aberta por capturar o público LGBTI+. Nisso há o
surgimento do queerbaiting, sobre o termo vale conferir Caravaca (2017). Mas se certas
marcas querem fisgar tal público, elas querem realizar isso, muitas vezes, sem uma afronta
direta contra padrões conservadores ou reacionários. Nisso há uma ambiguidade, uma busca
delicada.
O conservadorismo aqui não está sendo encarado como uma corrente polÃtica muito
definida, em estritas leituras de Edmund Burke ou Richard Hooker ou David Hume, mas
como uma disposição, mentalidade. Logo, aqui, o conservadorismo é um padrão da defesa
de algum elemento conhecido, como certa modalidade heterossexual e masculina nos gibis.
O que pode desembocar em crÃticas reacionárias, de parcial retorno para uma época já
extinta; o próprio limite entre conservadorismo e mente reacionária não é tão claro, em uma
série de tópicos, algo que autores como Joseph-Marie de Maistre, Gustavo Corção, Voegelin
e Leo Strauss exemplificam bem.
A apresentação de um Robin bissexual pode ser uma oportunidade, em termos de
representações midiáticas, mas também há questões e possÃveis problemas.
Roteiro e ilustrações de Sum of our parts
A edição consultada abre com uma capa, que podemos ver na Figura 3, com
elementos que remetem ao Orgulho LGBTI+,