FACES DA HISTÓRIA
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Recebido em: 09 de julho de 2014
Aprovado em: 11 de setembro de 2014.
Tudo está estremecido: por que a losoa da história oresce em
tempos de crise?
1
PAUL, Herman
2*
Tradução de: OHARA, João Rodolfo Munhoz
3**
Resumo
A losoa da história dicilmente desaparecerá em um mundo assolado
por crises. Crises, entendidas como anomalias dos modos pelos quais
as pessoas concebem suas relações entre passado e presente, servem
como ímpeto, mais que como obstáculo, à losoa da história. Quanto mais
as sociedades imaginam se o crescimento econômico é innito, ou se as
crianças no Ocidente algum dia alcançarão os níveis de prosperidade de
seus pais, ou como o crescente peso da dívida pública afetará o “contrato
social entre gerações”, mais provável que elas repensem suas relações
herdadas entre passado e presente. Em certo sentido, portanto, a losoa é
um fenômeno de crise: o gênero oresce em tempos de incerteza. Isso não
signica que a losoa da história será sempre ensinada em departamentos
acadêmicos de história: o gênero tem sido praticado muitas vezes, para
não dizer frequentemente, por não-historiadores. Os historiadores podem
querer considerar, no entanto, o quão bem eles servem suas sociedades
se permitem que a losoa da história seja praticada sem as checagens
críticas e balanços da historiograa prossional.
Palavras-chave: losoa da história; relação entre passado e presente.
Se períodos de felicidade são as páginas brancas da história, como
conhecidamente disse G. W. F. Hegel (1970, p.42), então a losoa da história
denha especialmente em tempos de paz e calma. A losoa da história, aquele
ramo notório da reexão sobre como os seres humanos se relacionam com seu
passado, é um fenômeno de crise. Em períodos nos quais a história parece
se desenvolver de acordo com o que as pessoas esperam [hope or expect],
ela tipicamente atrai pouca atenção. Mas assim que as manchetes dos jornais
proclamam “crises” – isso é, anomalias nos horizontes de expectativas de uma
sociedade, ou ocorrências que não cabem nas visões de passado, presente e
futuro existentes – a losoa da história cresce em importância, muitas vezes
até capturando a atenção de audiências não-acadêmicas.
1 Publicado originalmente em BMGN - Low Countries Historical Review, volume 127, núme-
ro 4, em 2012.
2 Professor de Teoria da História na Universidade de Leiden, Holanda. Ph.D. summa cum
laude em História pela Universidade de Groningen. Autor, entre outros, de Hayden White:
the historical imagination, publicado em 2011 pela Polity Press.
3 **Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual Pau-
lista (UNESP/Assis). Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo,
FAPESP.
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Herman Paul
Vejamos Giambattista Vico, o mestre-escola napolitano, ou Juan Andrés,
o jesuíta espanhol, ambos conhecidos como precursores dos lósofos historicistas.
Sua insistência na identidade histórica, que distinguiria cada não europeia, não era
simplesmente uma antecipação do dito de Leopold von Ranke de que passado,
presente e futuro são contemporâneos para Deus, mas um grito de guerra das
margens subalternas da Europa do século XVIII, dirigido contra a visão de
que a civilização europeia havia se deslocado para o norte e culminado no
classicismo francês. O historicismo do século XVIII foi um protesto contra as
teorias unilineares de evolução cultural que relegaram territórios não-franceses
à pré-história da Europa.
Outro exemplo é Johann Gustav Droysen, uma das guras
proeminentes da losoa da história do século XIX ao lado de Hegel, que
escreveu seu Grundriss der Historik em um tempo afetado por crises:
Tudo está abalado, tudo está passando por imensuráveis rupturas,
agitações, brutalizações. Todas as coisas velhas estão gastas,
falsicadas, consumidas por vermes e irrecuperável. E o novo ainda
não tem forma e m, é caótico, meramente destrutivo
4
(DROYSEN,
1933, p.328).
A losoa da história de Droysen foi uma reexão ampliada sobre as
funções didáticas do pensamento histórico em um período no qual agitações
como as revoluções de 1848 tornaram velhas certezas incertas.
Até que ponto experiências de crise e sentimentos de perda foram as
forças animadoras por trás do tipo de reexão convencionalmente conhecido
como losoa da história ca ainda mais claramente visível no que foi sem
dúvida o auge do gênero – os anos de 1920 e 1930. Além do Untergang des
Abendlandes de Oswald Spengler, cujo título esteve na ponta da língua de
uma geração inteira, a luta de Ernst Troeltsch, com a tão comentada crise do
historicismo, ilustrou que a losoa da história era, em suas próprias palavras,
“não apenas um problema acadêmico, mas um problema da vida prática”
(TROELTSCH, 1922, p.586). Diz a lenda que Troeltsch, uma vez, deixou
uma conferência, batendo portas, depois de ter dado aos seus ouvintes um
diagnóstico de seu tempo que era tão breve quanto alarmante: “Cavalheiros,
tudo está estremecido!” (RENDTORFF, 1998, p.10-11). Mesmo se essa
anedota for apócrifa, o fato de que ela circulou largamente entre os estudantes
e comentadores de Troeltsch sugere que ela, de alguma forma, capturou as
ansiedades associadas com a sua losoa da história.
Relações entre passado e presente
4 Todas as traduções são minhas.
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Tudo está estremecido: por que a losoa da história oresce em tempos de crise?
Não há, de fato, falta de contra-exemplos. Henry Thomas Buckle,
cujo nome na Inglaterra vitoriana tardia era quase sinônimo de losoa da
história, estava mais conante ao traçar as leis da evolução histórica. De
maneira similar, quando Albert Maria Weiss, um hoje, esquecido lósofo suíço,
invejava “as poucas mentes rarefeitas que receberam a losoa da história
como matéria de seu pensamento, o mais belo tema que uma caneta humana
pode trabalhar” (SPIESS, 1937, p.5), ele demonstrava que havia pensadores,
abençoados com maior tranquilidade que Vico, Droysen e Troeltsch, para os
quais a losoa da história não era uma busca atormentada pela redenição
das relações problemáticas entre passado e presente, mas a conrmação da
ilusão reconfortante de que a história estava do seu lado.
Ainda assim, na maior parte dos casos, a losoa da história atraiu
atenção acadêmica porque havia uma necessidade coletiva de repensar as
relações passado-presente herdadas (isto é, modos herdados de estudar,
interpretar, representar ou se relacionar de outra maneira com o passado).
Quando em meados do século XX, lósofos da história dedicaram livro
após livro ao “sentido da história”, eles o zeram porque as visões históricas
grandiosas de Buckle e Weiss haviam sido despedaçadas, deixando
sociedades a se perguntarem em que direção, se é que havia alguma, a história
estava caminhando. E, em nossos dias, um dos assuntos mais debatidos
acaloradamente na losoa da história é a percebida falta de sentido no que
parece o momento negativo denidor da identidade europeia – o Holocausto.
Também não é coincidência que Hayden White, cujo trabalho gira
em torno do desejo de libertar os seres humanos de tradições opressivas
5
,
seja, hoje, mais amplamente lido na Europa oriental, na América Latina e na
China. Um periódico de ponta no campo, History and Theory, recentemente
declarou que essas regiões demonstram um interesse muito maior na losoa
da história que a América do Norte e a Europa ocidental (de maneira que o
periódico se vê cooperando com a Academia de Ciências da China ao invés da
Associação Histórica Americana) (KLEINBERG; FAY, 2012).
Em resumo, parece que a losoa da história oresce em tempos de
crise, ou, mais precisamente, em contextos espaço-temporais de incerteza a
respeito da plausibilidade das relações herdadas entre passado e presente (por
exemplo, os modos herdados de dar sentido ao passado). Se frequentemente não
há demanda clara pela losoa da história enquanto as relações convencionais
entre passado e presente são sucientes, o gênero atrai intenso interesse, assim
que a história muda do belo para o sublime (isto é, de uma resposta para uma
pergunta, ou do previsível ao aventuroso ou ameaçador).
5 Conforme argumento em PAUL, Herman. Hayden White: the Historical Imagination. Cam-
bridge: Polity Press, 2011.
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Herman Paul
Filosoa especulativa da história
É pertinente, no entanto, falar sobre a losoa da história enquanto um
gênero, no singular? Posso imaginar que alguns leitores se lembrem de Karl Popper
e William Walsh, dois lósofos de meados do século XX que distinguiam claramente
entre dois gêneros – losoa “especulativa” e losoa “crítica” da história. Como a
nomenclatura já indica, a losoa especulativa da história, tal como representada
por construtores de sistemas como Hegel e Spengler, era considerada inapropriada
porque parecia não haver meios cientícos para corroborar ou falsicar teorias
sobre o m, o sentido ou a natureza do processo histórico. Essa crítica da losoa
especulativa da história tem sido tão inuente que vários daqueles conhecidos
atualmente como lósofos da história pensam seu campo ligado àquele que Popper
e Walsh identicaram como o território adequado, “cientíco”, da losoa da história.
Contra esse pano de fundo, então, pode-se objetar que o que eu
disse sobre a losoa da história enquanto um fenômeno de crise pode muito
bem se aplicar ao ramo especulativo – à dialética de Karl Marx, ao historicismo
de Troeltsch ou às meditações de Francis Fukuyama sobre o “m da história”
– mas não ao que os lósofos da história desde Popper e Walsh vieram a
reconhecer como seu verdadeiro trabalho: a análise losóca da linguagem,
dos conceitos e dos métodos que os historiadores empregam.
Mas essa objeção desconsidera o quanto a distinção de Popper e Walsh
fora em si mesma um fenômeno de crise. Popper dedicou A Miséria do Historicismo
aos “incontáveis homens e mulheres de todos os credos, nações ou raças que caíram
vítimas da crença fascista e comunista nas Leis Inexoráveis do Destino Histórico”
(POPPER, 1957, p.V). Essas palavras não deixam dúvidas de que a aversão de Popper
às leis evolutivas vinha, ao menos em parte, de um desejo de ajudar a evitar um novo
Terceiro Reich. De maneira similar, o Historismus do século XIX sofreu ataques não
apenas por conta de suas percebidas fraquezas epistemológicas, mas também, e
muitas vezes, especialmente por conta de suas supostas inclinações antiliberais.
Portanto, estou inclinado a considerar tanto os galões de tinta gastos na
batalha contra a losoa especulativa da história quanto à aversão quase alérgica de
Popper e seus colegas a todo “pensamento metafísico” como novas ilustrações da
minha tese de que a losoa da história é um gênero (ou um conjunto de gêneros, se
quisermos) alimentado pelas experiências de crise. Não menos importante entre os
fatores que contribuíram para o surgimento da losoa crítica da história, estava um
desejo de dissipar a crise do “historicismo” e do “relativismo histórico”.
Crescimento econômico e declínio religioso
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Tudo está estremecido: por que a losoa da história oresce em tempos de crise?
Enfatizo tudo isso para argumentar que é improvável que a losoa
da história desapareça em um mundo assolado por crises do tipo invocado
pelos editores em sua introdução
6
. Pois o que foi dito acima sugere que crises
– entendidas como anomalias dos modos pelos quais as pessoas concebem
suas relações entre passado, presente e futuro – muitas vezes servem como
ímpeto, mais que como obstáculo para a losoa da história. Quanto mais
as sociedades se perguntam se o crescimento econômico é innito, ou se as
crianças no ocidente algum dia alcançarão os níveis de prosperidade de seus
pais, ou como o crescente peso da dívida pública afetará o “contrato social
entre gerações”, ou por quanto tempo a América do Norte permanecerá a
principal sociedade do mundo, ou até que ponto a secularização é irreversível,
ou se o aquecimento global é de fato uma espada de Dâmocles, mais provável
que elas repensem as relações passado-presente que herdaram.
Portanto, não é coincidência que defensores da energia sustentável
como Herman Wijffels estejam consultando livros de “grande história” [“big
history”] (Colapso, de Jared Diamond, por exemplo) em uma tentativa de
entender por que o ocidente é tão incrivelmente relutante em tomar uma
atitude em relação à sua superdependência de recursos naturais. Também
não é coincidência que Rowan Williams, arcebispo de Canterbury, inspire-se
em losoas agostinianas da história ao tentar combater a crença pessimista
de que a queda do número de éis em paróquias britânicas sinaliza o m
imanente do cristianismo no ocidente. Ambos, economistas e arcebispos,
aventuram-se na losoa da história assim que tratam das limitações das
narrativas predominantes de crescimento econômico e declínio religioso.
Uma rica variedade de recursos
Talvez a questão mais intrigante seja, então, não se a losoa da
história tem um futuro (que ela certamente tem), mas até que ponto aqueles
que trabalham prossionalmente como lósofos da história serão capazes de
responder à demanda social de repensar as relações entre passado e presente
herdadas. Especialmente em países como a Holanda, nos quais a losoa da
história foi institucionalizada em programas acadêmicos de história, no último
meio século, em um grau jamais visto no resto do mundo, a questão mais
urgente pode ser até que ponto os lósofos da história estarão preparados para
ajudar as sociedades a reetirem, por exemplo, sobre as grandes narrativas
históricas que não são mais consideradas convincentes.
6 N.T.: a introdução a que Paul se refere é a introdução do fórum no qual este artigo foi
originalmente publicado – SANTING, Catrien. Theoretical History. BMGN – Low Countries
Historical Review. Haia, v. 127, n. 4, p.100-102, 2012.
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Herman Paul
Até onde vejo, o sucesso da losoa crítica da história nos últimos
sessenta anos, tanto permite quanto diculta que os lósofos da história
assumam tal responsabilidade. De um lado, a losoa crítica da história tem
sido tão ansiosa em evitar qualquer coisa vagamente semelhante a Marx,
Hegel ou Spengler que tem se aplicado quase exclusivamente ao estudo
de como historiadores (no ocidente) investigam o passado. O catálogo de
problemas quase-canônicos na losoa contemporânea da história não inclui
o sentido da história, ou os perigos do relativismo histórico; ao invés disso,
ele consiste de problemas de historiadores tais como explicação, inferência,
intenção, contexto, comparação e construção de modelos. De fato, cada vez
mais a losoa da história se torna uma losoa da historiograa prossional,
isto é, um subcampo “losóco meta-disciplinar” parecido com a losoa da
ciência ou a losoa da economia (TUCKER, 2009, p.4).
Se esse estreito foco disciplinar pode não parecer particularmente
vantajoso, por outro lado, as décadas de relativo isolamento permitiram
que lósofos da história tratassem de debates bastante especícos sobre
causalidade, explicação, narrativa e experiência (pense, por exemplo, nas
controvérsias provocadas pelo covering law model de Carl Hempel, ou a
hermenêutica analítica de William Dray). Essas mudanças contribuíram para
um renamento considerável de como os lósofos da história entendem a
interpretação, a explicação e a narrativa histórica.
Que esse investimento pode trazer ganhos substanciais, pode-
se ver pelos lósofos da história que tentam intervir em debates públicos
sobre a educação histórica, patrimônio cultural, identidade nacional, tradição
ou secularização. Mark Salber Phillips, por exemplo, inspira-se em Hans-
Georg Gadamer e Thomas Kuhn para defender alternativas ao “simples
par binário de tradição e modernidade que por tanto tempo distraiu aqueles
que tentaram se acertar” com a tradição, o patrimônio e a inovação na
política e na arte (PHILLIPS, 2004, p.25). David Gross analisa como as
sociedades ocidentais contemporâneas lembram e esquecem seus passados
(idealizados, traumatizados) com a ajuda de ideias desenvolvidas por Friedrich
Nietzsche e Reinhart Koselleck (GROSS, 2000). Thomas Albert Howard mais
especicamente se inspira em Hayden White ao examinar as estruturas de
enredo de narrativas de secularização tais como contadas em The Secular
Age, de Charles Taylor (HOWARD, 2009)
7
. Mais próximos, os projetos de Rik
Peters sobre “história do aprendizado”, conduzidos na Philips e em outros
ambientes corporativos, baseiam-se em Koselleck, Quentin Skinner e Frank
Ankersmit, entre outros, para elucidar a natureza e os efeitos de mudança de
gestão organizacional (KARSTEN, 2009).
7 Ver também JAY, Martin. Faith-based History. History and Theory. Middletown, v. 48, p.76-
84, 2009.
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Tudo está estremecido: por que a losoa da história oresce em tempos de crise?
Embora nem todas as fontes de inspiração mencionadas acima possam ser
claramente classicadas como lósofos críticos da história, penso que cada um dos
exemplos ilustra que ideias técnicas desenvolvidas em áreas altamente especializadas
da losoa da história podem, às vezes, ser aplicadas frutiferamente a debates não-
acadêmicos sobre as relações (mutantes) entre passado e presente. As ideias que
Phillips, Gross, Howard e Peters colocam em pauta, derivam de uma familiaridade
minuciosa com a análise do discurso, a teoria dos atos de fala, a losoa da narrativa
e a hermenêutica da ação. Seus exemplos ilustram, portanto, que o legado da losoa
crítica da história não é necessariamente negativo. Graças a Hempel, Dray e outros,
os lósofos da história, agora, têm uma rica variedade de recursos para ajudar
pessoas como Wijffels e Williams a tratar os pontos fortes e as limitações
referentes às relações entre passado e presente que herdamos.
Estudos históricos acadêmicos
Se tais lósofos da história serão ou continuarão sendo empregados
por departamentos acadêmicos de história, claro, é uma questão aberta. Talvez
não: a losoa da história tem sido praticada muitas vezes, para não dizer
usualmente, por não-historiadores. Os historiadores podem querer considerar,
entretanto, quão bem eles servem às suas sociedades se permitem que a
losoa da história seja praticada sem as checagens críticas e os balanços da
historiograa prossional.
Lembremos de William Walsh, cuja aversão à losoa especulativa
da história não o impediu de tratar do trabalho de Arnold Toynbee. Embora os
historiadores estejam certos em criticar Toynbee, disse Walsh, eles mesmos
são os culpados por criar um vácuo no qual tais losoas, como a de Toynbee,
puderam emergir (WALSH, 1967, p.164-165). De maneira análoga, pode-
se argumentar que os historiadores talvez não devessem deixar a losoa
da história para economistas, especialistas no clima e outros cidadãos que
se sentem presos em crises de vários tipos – particularmente se esses
historiadores se importam com a adequação e a conabilidade do que está
sendo dito no domínio público.
Particularmente em tempos de crises, os historiadores podem querer
investir na losoa da história e tentar tornar os conhecimentos desenvolvidos
sob a égide da losoa crítica da história disponíveis para as sociedades que
se reorientam no tempo e repensam suas relações herdadas com o passado.
Referências
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Politische Schriften. Munique: Felix Gilbert, 1933.
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FACES DA HISTÓRIA, Assis-SP, v.1, nº2, p. 73-80, jul.-dez., 2014.
Herman Paul
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