Patrimônio sensível e participação social

os desafios da construção da governança participativa em bens de memória sensível – Sítio Arqueológico Cais do Valongo e Acervo Nosso Sagrado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5016/pem.v21.e4072

Palavras-chave:

patrimônio sensível, memória política, participação social, Cais do Valongo, Acervo Nosso Sagrado

Resumo

O presente artigo analisa os desafios da construção de modelos de governança participativa em torno de bens de memória sensível, a partir das experiências do Sítio Arqueológico Cais do Valongo e do Acervo Nosso Sagrado. Ambos os casos são marcados por trajetórias de mobilização social que impulsionaram e ressignificaram seus processos de patrimonialização. Essas mobilizações articularam atores da sociedade civil, movimentos sociais, intelectuais e instituições públicas em torno desses bens, com o objetivo de reconhecer, preservar e tornar visível a memória política de sítios e artefatos que registram, em sua materialidade, histórias de violação e resistência de grupos historicamente oprimidos pelo Estado.

A pesquisa analisa as complexidades da efetivação da gestão compartilhada, apontando tensões entre o discurso da participação social e sua efetivação nos espaços políticos do patrimônio cultural, sobretudo a partir das normativas regimentadas por instituições culturais responsáveis pelo tratamento dos bens, IPHAN e IBRAM. A partir do acompanhamento da atuação do Comitê Gestor do Cais do Valongo (2022–2024) e das articulações públicas do Grupo de Gestão Compartilhada do Acervo Nosso Sagrado (2023–atual), o estudo aborda limites institucionais, disputas simbólicas, obstáculos orçamentários e assimetrias de poder que atravessam esses processos à luz de conceitos da Geografia Política. Conclui-se que a consolidação de uma política de patrimônio sensível exige o fortalecimento de espaços políticos que possibilitem o protagonismo dos grupos detentores da memória através de normas de isonomia, publicidade e representação, a garantia de voz e voto efetivos, e o compromisso com práticas de reparação histórica e justiça social.

Biografia do Autor

João Vítor Schincariol, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN

Arquiteto e urbanista (UFSC) com atuação voltada à gestão do patrimônio cultural, políticas públicas participativas e formação crítica de comunidades. Mestre pelo Programa de Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do Centro Lúcio Costa: Escola do Patrimônio, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com pesquisa sobre participação social nos comitês gestores de sítios reconhecidos pela UNESCO, com ênfase no caso do Sítio Arqueológico Cais do Valongo (RJ). Atuou no IPHAN durante o período de realização do mestrado, desenvolvendo atividades de pesquisa, análise institucional e articulação interinstitucional. Foi consultor da UNESCO junto ao Grupo de Trabalho de Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas do G20 (2024), responsável pela sistematização técnica do processo.É Emerging Professionals Working Group representative of Distrito Federal, representando os jovens profissionais do International Council of Monuments and Sites (ICOMOS). Também é pesquisador associado ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Política e Território (GEOPPOL), do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Paula Fernandes da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutoranda em Geografia (UFRJ), integrante do Geoppol/UFRJ desde 2022. Mestra e licenciada pela UFF. Bolsista CAPES (2017–2019; 2024–). Atua na Educação Básica desde 2014, pré-vestibulares, educação prisional/socioeducativa e redes públicas (SME-Rio, CAp UFRJ/UERJ). Pesquisa Geografia Política: memória, patrimônio e relações étnico-raciais. Investiga o Acervo Nosso Sagrado na cidade do Rio, articulando memória política, afrorreligiosidades, reparação história e geografias negras. Doutoranda em Geografia (UFRJ), integrante do Geoppol/UFRJ desde 2022. Mestra e licenciada pela UFF. Bolsista CAPES (2017–2019; 2024–). Atua na Educação Básica desde 2014, pré-vestibulares, educação prisional/socioeducativa e redes públicas (SME-Rio, CAp UFRJ/UERJ). Pesquisa Geografia Política: memória, patrimônio e relações étnico-raciais. Investiga o Acervo Nosso Sagrado na cidade do Rio, articulando memória política, afrorreligiosidades, reparação história e geografias negras.

Rafael Winter Ribeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro

É geógrafo, com doutorado pela UFRJ e estágio na Université de Pau et des Pays de l’Adour (UPPA), França. Professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ e do Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Coordenador do Geoppol – Grupo de Estudos e Pesquisas em Política e Território na UFRJ. É membro do ICOMOS-Brasil e Codiretor da Cátedra UNESCO Patrimônio e Paisagem Cultural.

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Publicado

06-12-2025

Como Citar

Schincariol, J. V., Silva, P. F. da, & Ribeiro, R. W. (2025). Patrimônio sensível e participação social: os desafios da construção da governança participativa em bens de memória sensível – Sítio Arqueológico Cais do Valongo e Acervo Nosso Sagrado. Patrimônio E Memória, 21(1), 1–27. https://doi.org/10.5016/pem.v21.e4072