ARQUIVO PARTICULAR JÚLIO DE CASTILHOS
CARTAS, BILHETES E ANOTAÇÕES PESSOAIS COMO FONTES HISTÓRICAS
Palavras-chave:
Memória, História política, Arquivos ParticularesResumo
Documentos de uso privado, como cartas, embora sempre tenham sido usados para ler o passado, apenas nos últimos anos foram consideradas fontes com grandes possibilidades de serem objetos da pesquisa histórica. Inserindo-se nessa perspectiva, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul passa a disponibilizar ao público um novo acervo, denominado “Arquivo Particular Julio de Castilhos”, em memória do lider republicano rio-grandense, que adquiriu projeção nacional no período da República Velha. Agrega documentação de caráter íntimo, que, em uma primeira análise, revela a intensa atividade política e familiar, entre o final do século XIX e o início do século XX. A partir da organização e disponibilização dessa documentação, discute-se a potencialidade das correspondências como fontes históricas, chamando a atenção de que são portadoras de saberes e vivências, portanto, carregadas do tempo da experiência — descontínuo e fragmentado. Este tipo de abordagem permite uma melhor compreensão do passado, uma humanização dos chamados “grandes personagens” e a recuperação dos cotidianos.
Referências
ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca (org.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
ARQUIVO HISTÓRICO DO RIO GRANDE DO SUL. Arquivo Particular Júlio de Castilhos. Carta de Franklin K. Barcellos para Júlio de Castilhos. Pelotas, 03 set. 1900. Série Assuntos Familiares.
CAMPOS, Edson Nascimento; CURY, Maria Zilda Ferreira. Fontes primárias: saberes em movimento. Revista da Faculdade de Educação, v. 23, n. 1-2, São Paulo, jan./dez. 1997, p. 2.
CAMARGO, M. R. Cartas adolescentes: uma leitura e modos de ser... In: ______. Refúgio do eu: educação, história e escritos autobiográficos. Florianópolis: Mulheres, 2000. p. 205.
CARRAHER, D. W. A grande função da escola: ensinar a pensar. Sala de Aula, ano 1, n. 3, jun. 1988, p. 30.
CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
CHARTIER, Roger. Cultura escrita, literatura e história: conversas com Carlos Aguirre, Jésus Anaya, Daniel Goldin e Antonio Saborit. [S.l.]: 2001. [sem mais dados editoriais].
DIAS, C. G. P. Um olhar sobre o livro Nas margens de Natalie Zemon Davis: em busca de uma reflexão a partir do gênero biográfico. Histórica, Porto Alegre, n. 5, p. 103–110, 2001.
ENGEL, Magali. Povo, política e cultura: um diálogo entre intelectuais da Primeira República e livros didáticos atuais. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca (org.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p. 289–308.
FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de história: experiências, reflexões e aprendizados. 2. ed. Campinas, SP: Papirus, 2004.
FRANCO, Sérgio da Costa. Júlio de Castilhos e sua época. 2. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS; MEC/Sesu/PROEDI, 1988.
GOMES, Ângela de Castro (org.). Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
KNAUSS, Paulo. Sobre a norma e o óbvio: a sala de aula como lugar de pesquisa. In: NIKITIUK, Sonia L. (org.). Repensando o ensino de história. São Paulo: Cortez, 1996.
MUNAKATA, Kazumi. Dois manuais de história para professores: histórias de sua produção. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 3, 2004, p. 522. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022004000300010&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 2 jan. 2008. doi: 10.1590/S1517-97022004000300010.
PENNA, Rejane Silva. Formação de professores e ensino privado noturno: uma breve reflexão sobre cursos superiores de História. Opsis (UFG), v. 7, p. 279–296, 2008.
PINSKI, Carla Bassanezi. Fontes históricas. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
PROST, Antoine. Les pratiques et les méthodes. In: RUANO-BORBALAN, Jean-Claude (coord.). L’histoire aujourd’hui: nouveaux objets de recherche, courants et débats, le métier d’historien. Auxerre: Sciences Humaines, 1999. p. 386.
REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA. Instaurando maneiras de ser, conhecer e interpretar. Maria Stephanou. São Paulo, v. 18, n. 36, p. 9, 1998.
VENÂNCIO, Giselle Martins. Cartas de Lobato a Vianna. In: GOMES, Ângela de Castro (org.). Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. p. 113.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2009 Patrimônio e Memória

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons do tipo atribuição BY.