Definida a temática do volume 26

2018-02-17

 EMENTA

A literatura para jovens leitores adentra o século XXI demonstrando sua vitalidade em termos qualitativos e quantitativos no contexto do sistema literário brasileiro e internacional, como atesta Alice Áurea Penteado Martha sobre a produção do mercado editorial para este segmento: “Nos últimos quarenta anos, o mercado de publicações para crianças e jovens cresceu em números de títulos e de tiragens, com perfil específico” (MARTHA, 2008, p.01). A profusão de títulos, temas e formas exige da crítica o exercício constante de aquilatar um conjunto de textos bastante heterogêneo, mas que também não deixa de configurar tendências frente às instâncias de legitimação das quais participa (BOURDIEU, 2005). O intrincado mosaico de textos, os mais diversos, é um dos fatores que justifica a preocupação daqueles que se dedicam à análise de um corpus multifacetado, seja no contexto ibero-americano, seja em outros circuitos editoriais: “Daí a importância de a crítica literária realizar investigações permanentes sobre esse subsistema literário, na busca de compreender suas especificidades, que lidam com aspectos transicionais e transitórios e que oscilam entre as fronteiras da intencionalidade e do valor estético” (TURCHI, 2016, p.83). Em recente obra sobre a literatura infantil e juvenil, Marisa Lajolo e Regina Zilberman destacam ao menos dois aspectos de livros contemporâneos colocados no mercado sob a chancela do discurso sobre a busca de se “formar” leitores de literatura: “Dois são os traços mais evidentes do empenho em propor desafios a seus destinatários: o recurso à intertextualidade e o apelo à metalinguagem, traços que também se manifestam na melhor literatura contemporânea não infantil” (LAJOLO, ZILBERMAN, 2017, p.80). Restringindo este Dossiê aos textos que compõem o subsistema literário juvenil, compreendem-se como necessárias as abordagens críticas, históricas e teóricas para uma produção em que as demandas do homem de hoje se revelam aos jovens leitores como “a diversidade de valores do mundo contemporâneo; o questionamento do papel do homem diante de um universo que se transforma a cada dia; [...] e, o mais importante, as vozes e sentimentos do adolescente nas páginas dos livros, nas ilustrações e nas diferentes linguagens que compõem a produção artística para os jovens” (GREGORIN, 2011, p.32-33).  A relevância temática dessa produção, portanto, implica a percepção de uma “estética da formação” que, entre outras acepções, configura-se, à primeira vista, como “a temática de que se ocupa a maior parte das obras, no caso, a busca da identidade e o processo de amadurecimento do jovem, do ponto de vista físico, intelectual, emocional, ético, entre outros aspectos” (CECCANTINI, 2000, p. 435-436). Para que se efetivem como uma “estética da formação”, esses temas integram construtos de significação por meio de recursos como aqueles apontados por Lajolo e Zilberman (2017). Assim, este número da revista Miscelânea acolhe trabalhos que contemplem estudos críticos, históricos e/ou teóricos sobre obras juvenis publicadas após o ano 2000, marcadas em sua tessitura narrativa, lírica ou dramática pela intertextualidade e/ou a metalinguagem.


Referências Bibliográficas:


BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2005. 

CECCANTINI, João Luís C. T. Uma estética da formação: vinte anos de literatura juvenil brasileira premiada (1978-1997). Assis: Unesp, 2000. Tese de doutorado.

GREGORIN FILHO, José Nicolau. Literatura juvenil: adolescência, cultura e formação de leitores. São Paulo: Melhoramentos, 2011.

LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira: uma nova/outra história. Curitiba: PUCPress, 2017.

MARTHA, Alice Áurea Penteado. A literatura infantil e juvenil: produção brasileira contemporânea. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 43, n. 2, p. 9-16, abr./jun. 2008.

TURCHI, Maria Zaira. Narrativas juvenis: a inovação literária em busca do leitor. FronteiraZ, Porto Alegre, nº 17, dez. 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/article/view/29410 Acesso em: 17 fev. 2018.