ESPIANDO DE SOSLAIO

O OLHAR DA SENZALA AO RÉS-DO-ALPENDRE

  • Janaína da Silva Sá
  • Raffaella Fernandez

Resumo

Para fins de análise, julgamos que, em Diário de Bitita, é descrita a experiência de vida levada longe da sombra do alpendre3, expressão que se consagrou a partir da publicação da obra Casa-Grande & Senzala do ensaísta brasileiro Gilberto Freyre, no ano de 1933. A intenção de se fazer referência a essa obra icônica da formação da cultura brasileira está no fato de que a ideia de uma pretensa democracia racial, ainda vigora nos campos da ideologia nacional, fortalecendo a figura do homem branco como herói civilizador. Acreditamos que em Diário de Bitita (1986) de Carolina Maria de Jesus se verifique uma nova perspectiva. A observação que pretendemos averiguar nessa obra se fixa em instaurar o ponto de vista da senzala, do mucambo, da choça, do terreiro e de seus sobreviventes tomados em espaços significativos nos quais se dinamizavam outras vivências, que em geral não foram reverenciadas por narrativas legitimadas pela cultura nacional. Nessas memórias narrativas o objetivo é adotar a perspectiva do elemento negro, tomado como sujeito da enunciação, buscando uma discussão com o pensamento de Gilberto Freyre, a partir da interlocução estabelecida por Roberto DaMatta. O intuito dessa análise reforça a ideia de que o pensamento freyreano é absorvido de forma acintosa pela cultura e ideologia nacionais, mesmo muito tempo depois de sua publicação.

Publicado
2017-08-02
Como Citar
DA SILVA SÁ, Janaína; FERNANDEZ, Raffaella. ESPIANDO DE SOSLAIO. Miscelânea: Revista de Literatura e Vida Social, [S.l.], v. 21, p. 227-242, ago. 2017. ISSN 1984-2899. Disponível em: <http://seer.assis.unesp.br/index.php/miscelanea/article/view/23>. Acesso em: 18 dez. 2017.
Seção
ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES