A sátira social no cinema soviético da Era Brejnev

os limites da censura

  • Moisés Wagner Franciscon Universidade Federal do Paraná (UFPR)
  • Gelise Cristine Ponce Martins Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Palavras-chave: Sócio-histórica cinematográfica, União Soviética, Crítica social

Resumo

O Glavlit era o órgão encarregado da censura na União Soviética. Sua presença na diretoria de produtoras, em fiscalizações e no controle da edição não era a única fonte de repressão na produção fílmica. Estúdios e diretores dependiam dos contratos com o governo, pois trabalhavam em um sistema estatizado. Era conveniente receber as encomendas de filmes – cuja produção era numericamente prevista pela planificação. Embora houvesse apenas uma fonte de financiamento, existiam vários estúdios repartindo tais recursos. O sistema incentivava a autocensura. Os diretores eram cobrados para que o filme fosse economicamente viável e agradasse ao público. Entretanto, havia espaço para a crítica no cinema soviético, dentro de certos limites. Sua transposição equivalia a condenar a película à tesoura da censura. Esse espaço de manobra variou durante as etapas políticas do regime: aberto nos tempos de Lenin (durante a NEP), estreito sob Stalin, amplo com Kruschev (1953-64) e um pouco menos extenso com Brejnev (1964-82), como indica Lewin. A sócio-história cinematográfica de Ferro, caracterizada pela percepção de mensagens latentes ao filme decorrentes de sua produção num ambiente social conflituoso e o trabalho de Bakhtin sobre a ambivalência do humor popular, permitem-nos analisar três comédias que obtiveram resultados distintos diante da censura: Interventsiia (1969), Slujebnyi roman (1977) e Sportloto-82 (1982).

Biografia do Autor

Gelise Cristine Ponce Martins, Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Mestre pela UEM, doutoranda pela UEM

Publicado
2019-06-21