O relacionamento homoerótico na Grécia Antiga:

uma prática pedagógica

  • TIAGO SOUZA MONTEIRO ANDRADE FATEC/UNIESP

Resumo

Na Grécia Antiga, o relacionamento homoerótico entre um homem mais velho (erastes) e um jovem (eromenos) era considerado, segundo as leis da sociedade helênica, uma prática pedagógica. A referida prática tinha o objetivo de transferir conhecimentos de ordem filosófica, política, militar e até mesmo sexual. Nesse relacionamento o jovem admirava qualidades como sabedoria e experiência do homem mais velho, enquanto este contemplava as qualidades masculinas do seu discípulo. No entanto, muitos interpretam tal relação de maneira deturpada, considerando muitas vezes a Grécia como terra de orgias e sodomias, cabendo às pesquisas científicas mostrarem que a sociedade grega não se resume apenas a tais afirmações. Nesse sentido, o presente artigo objetiva apresentar uma trajetória dessa prática, analisando como o relacionamento homoerótico era encarado como um ritual, pelo qual todo jovem grego havia de passar, com finalidade de atingir a vida adulta de maneira íntegra. O trabalho corresponde a uma pesquisa bibliográfica e descritivo-qualitativa, amparada por estudos de DOVER (2007); HALPERIN, WINKLER, ZEITLIN (1990); PLATÃO (2011) e CALLAGHER (1990). Por meio das análises apresentadas, os estudos mostraram que a relação homoerótica na principal sociedade humana da Antiguidade não foi apenas tolerada, mas elevada à condição suprema de realização individual.


 Palavras-chave: História; Grécia Antiga; homoerotismo; ritual de passagem.

Publicado
2018-01-03
Como Citar
ANDRADE, TIAGO SOUZA MONTEIRO. O relacionamento homoerótico na Grécia Antiga:. Faces da Historia, [S.l.], v. 4, n. 2, p. 58-72, jan. 2018. ISSN 2358-3878. Disponível em: <http://seer.assis.unesp.br/index.php/facesdahistoria/article/view/271>. Acesso em: 16 out. 2018.