ENTRE PRAGAS E ADÁGIOS

AMOR POR ANEXINS, DE ARTHUR AZEVEDO, E SUAS IMPLICAÇÕES PARÓDICAS

Palavras-chave: Amor por anexins, Arthur Azevedo, Paródia, Farsa

Resumo

Por volta de 1870, estreava a farsa ou entreato cômico Amor por anexins, trabalho teatral mais antigo de Arthur Azevedo a que temos acesso. Em cena temos duas personagens: Inês, costureira viúva, jovem e pobre, e Isaías, velho solteirão com situação financeira mais confortável. Inês, que aspirava a um “bom casamento” com um pretendente jovem e rico, tenta fugir das investidas inoportunas de Isaías, caracterizado como o “homem dos anexins” por não conseguir proferir uma frase sem utilizar ditos populares. Partindo desse enredo, retomamos a relação paródica entre Amor por anexins e a comédia em um ato Les jurons de Cadillac, de Pierre Berton, cuja tradução livre As pragas do coronel, de Luís Guimarães Junior, é citada na peça de Azevedo pela personagem Inês. Pretendemos, com isso, observar como a armação dramática da comédia de Berton é apropriada e ressignificada em Amor por anexins, que, por sua vez, enforma conflitos sociais específicos do Brasil oitocentista.

Biografia do Autor

Rodrigo Cézar Dias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Doutorando em Letras

Rodrigo Cézar Dias é doutorando em Estudos de Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com bolsa CAPES, mestre em Estudos de Literatura e licenciado em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa pela mesma instituição. Pesquisa o teatro de Artur Azevedo, observando as relações entre forma dramática e processo social, amparado pelo estudo da recepção do autor na imprensa fluminense via pesquisa em fontes primárias. Outros interesses e áreas de atuação: teatro realista no Brasil, comédia musicada no Brasil, circulação transnacional de textos e companhias dramáticas no final do século XIX.

Antônio Marcos Vieira Sanseverino, Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Professor Adjunto de Literatura Brasileira

Antônio Marcos Vieira Sanseverino é Doutor em Letras (PUCRS), professor adjunto na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do CNPq, com pós-doutorado na Brown University. É autor de “A presença de escravos em alguns contos de Machado de Assis”, “Esquisitas e desmioladas: o narrador, o adultério e a representação feminina no conto machadiano” e “Cantos Ocidentais (1880), a poesia machadiana na Revista Brasileira”, entre outras publicações. É membro da equipe de pesquisadores do projeto Discurso da épica nas culturas lusófonas do século XIX–Probral Capes/DAAD 2018-2021.

Publicado
2022-10-06
Seção
ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES