ESPIANDO DE SOSLAIO

O OLHAR DA SENZALA AO RÉS-DO-ALPENDRE

Autores

  • Janaína da Silva Sá
  • Raffaella Fernandez

DOI:

https://doi.org/10.5016/msc.v21i0.23

Palavras-chave:

Carolina; Diário de Bitita; Mucambo; Memória narrativa.

Resumo

Para fins de análise, julgamos que, em Diário de Bitita, é descrita a experiência de vida levada longe da sombra do alpendre3, expressão que se consagrou a partir da publicação da obra Casa-Grande & Senzala do ensaísta brasileiro Gilberto Freyre, no ano de 1933. A intenção de se fazer referência a essa obra icônica da formação da cultura brasileira está no fato de que a ideia de uma pretensa democracia racial, ainda vigora nos campos da ideologia nacional, fortalecendo a figura do homem branco como herói civilizador. Acreditamos que em Diário de Bitita (1986) de Carolina Maria de Jesus se verifique uma nova perspectiva. A observação que pretendemos averiguar nessa obra se fixa em instaurar o ponto de vista da senzala, do mucambo, da choça, do terreiro e de seus sobreviventes tomados em espaços significativos nos quais se dinamizavam outras vivências, que em geral não foram reverenciadas por narrativas legitimadas pela cultura nacional. Nessas memórias narrativas o objetivo é adotar a perspectiva do elemento negro, tomado como sujeito da enunciação, buscando uma discussão com o pensamento de Gilberto Freyre, a partir da interlocução estabelecida por Roberto DaMatta. O intuito dessa análise reforça a ideia de que o pensamento freyreano é absorvido de forma acintosa pela cultura e ideologia nacionais, mesmo muito tempo depois de sua publicação.

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Publicado

2017-08-02

Como Citar

da Silva Sá, J., & Fernandez, R. (2017). ESPIANDO DE SOSLAIO: O OLHAR DA SENZALA AO RÉS-DO-ALPENDRE. Miscelânea: Revista De Literatura E Vida Social, 21, 227–242. https://doi.org/10.5016/msc.v21i0.23

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES